Mercado eleva previsão de inflação e dólar para 2026

 

Marcello Casal JR Agencia Brasil

Boletim Focus também aponta aumento na estimativa da Selic e reduz, pela terceira semana consecutiva, a expectativa de crescimento do PIB brasileiro.

O mercado financeiro elevou as projeções para a inflação, a taxa básica de juros e o dólar em 2026. Ao mesmo tempo, reduziu pela terceira semana consecutiva a expectativa de crescimento da economia brasileira. Os dados foram divulgados no Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne as estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Na primeira edição do levantamento após as eleições presidenciais, a projeção para a taxa Selic ao final de 2026 passou de 13,25% para 13,5%.

Atualmente, os juros básicos estão em 13,75%, indicando que o mercado espera uma redução de 0,25 ponto percentual até o encerramento do ano.

Para 2027, a expectativa é de que a Selic termine em 12,5%. Já para 2028, a projeção permanece em 11%.

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados encarecem o crédito e ajudam a conter o consumo e a alta dos preços, mas também podem limitar o crescimento econômico.

Inflação

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, subiu de 5,19% para 5,22% em 2026.

Há quatro semanas, a previsão era de 5,01%, mostrando uma elevação nas expectativas do mercado.

Para 2027, a projeção de inflação é de 4,76%. Em 2028, a estimativa está em 4%.

A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,32% em outubro. Com isso, o indicador acumulou avanço de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação.

A desaceleração em relação a setembro, quando o índice havia registrado 0,70%, foi influenciada principalmente pela redução nos preços da energia elétrica residencial, após a adoção da bandeira tarifária verde em outubro.

Por outro lado, os alimentos exerceram pressão de alta, com destaque para o tomate, que subiu 24,54%, a cebola (13,63%), a batata-inglesa (10,96%) e o arroz (5,80%).

Projeção de crescimento da economia

As expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país, também foram revisadas para baixo.

Na semana anterior, o mercado projetava crescimento de 1,8% em 2026. Agora, a estimativa passou para 1,76%, marcando a terceira redução consecutiva.

Para 2027, a previsão de crescimento é de 1,2%. Em 2028, o mercado espera expansão de 1,8%.

Dólar

A cotação do dólar também teve sua projeção elevada para o encerramento de 2026.

Segundo o Boletim Focus, a expectativa passou de R$ 5,05 para R$ 5,34, em comparação com a semana anterior.

Para 2027, a estimativa é de que a moeda norte-americana termine o ano cotada a R$ 5,40. O mesmo valor é projetado para o encerramento de 2028.

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