Agricultura familiar teme perda de apoio após fusão de secretarias no RS
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Foto: RBS TV
FETAG-RS e deputado Miguel Rossetto criticam a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Rural e cobram garantias para os pequenos produtores.
A decisão do governador eleito Luciano Zucco de extinguir a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e incorporar suas atribuições à Secretaria da Agricultura provocou preocupação entre representantes da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.
A mudança recebeu críticas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS) e do deputado estadual Miguel Rossetto (PT). As manifestações apontam o risco de redução de recursos e de espaço institucional para políticas públicas destinadas aos pequenos produtores.
A FETAG-RS defende que a agricultura familiar continue contando com uma estrutura administrativa própria, incluindo orçamento, equipe técnica e capacidade de executar programas específicos.
A entidade considera fundamental que a reorganização preserve os projetos existentes, a estrutura técnica e os recursos financeiros destinados ao setor.
Segundo a federação, a agricultura familiar movimenta aproximadamente R$ 47 bilhões por ano no Rio Grande do Sul. Para a entidade, a manutenção de políticas específicas é importante para garantir aos produtores acesso ao financiamento, à tecnologia e aos mercados.
Deputado critica extinção da secretaria
O deputado estadual Miguel Rossetto também manifestou contrariedade à decisão de Zucco. Segundo o parlamentar, a Secretaria de Desenvolvimento Rural atende quase 300 mil famílias de agricultores familiares no Estado.
Rossetto lembrou que o governador eleito esteve no pavilhão da agricultura familiar durante a Expointer, onde teria feito compromissos com representantes do segmento. Para o deputado, a decisão de extinguir a pasta contrasta com o apoio que havia sido sinalizado ao setor.
“Vai lá no pavilhão da agricultura familiar, ali na Expointer, e promete mundos e fundos. E a primeira coisa que ele faz é acabar com a secretaria que apoia essa agroindústria, essa agricultura familiar, essas cooperativas”, afirmou.
O parlamentar também destacou a importância da estrutura da SDR para viabilizar recursos destinados à assistência técnica, regularização fundiária, crédito rural e programas como o Pronaf.
Na avaliação de Rossetto, a agricultura familiar, as agroindústrias e as cooperativas precisam ampliar o apoio recebido para fortalecer suas atividades e crescer no Estado.
Nova secretaria ficará sob comando de Paulo Herrmann
Com a unificação das estruturas, a pasta ficará sob o comando de Paulo Herrmann, que presidiu a John Deere no Brasil entre 2012 e 2022.
Ao anunciar a fusão, Herrmann afirmou que pretende aproveitar as estruturas das duas secretarias. No entanto, não apresentou detalhes sobre como serão mantidas as políticas públicas específicas voltadas à agricultura familiar.
Diante das mudanças, a FETAG-RS solicitou uma reunião com Luciano Zucco e a equipe de transição antes da definição da nova estrutura administrativa.
A entidade busca garantias de que os programas, os recursos orçamentários e a capacidade técnica de atendimento aos agricultores familiares sejam preservados na nova organização do governo estadual.
Fonte Fronteira 360