Mercado reduz projeção da Selic para 2026 pela primeira vez desde março

Foto Marcelo Casal JR Agencia Brasil
Boletim Focus aponta queda na expectativa para os juros e também reduz a previsão de inflação, enquanto estimativas para PIB e dólar seguem praticamente estáveis.
O mercado financeiro revisou para baixo a expectativa da taxa Selic para 2026 pela primeira vez desde março deste ano. Os novos dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, que também mostrou redução na previsão para a inflação oficial do país.
A estimativa para a taxa básica de juros passou de 14% para 13,75% no encerramento de 2026. Já a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu para 5,03%, reforçando a percepção de desaceleração das pressões inflacionárias.
Mercado passa a projetar juros menores em 2026
A nova estimativa representa a primeira redução nas expectativas para a Selic em vários meses. Atualmente, a taxa básica permanece em 14,25%, percentual definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião realizada em junho.
Com a atualização do Focus, o mercado passou a considerar a possibilidade de pelo menos um corte na taxa até o fim de 2026. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
Para os anos seguintes, as projeções permaneceram inalteradas. A expectativa continua indicando Selic de 12% em 2027 e de 10,5% em 2028.
Inflação também recua nas projeções
Além dos juros, o mercado reduziu pela quinta semana consecutiva a previsão para a inflação em 2026.
Segundo o levantamento do Banco Central, a expectativa para o IPCA passou de 5,12% para 5,03%. Há cerca de um mês, a estimativa era ainda maior, em 5,30%.
As projeções para os anos seguintes permaneceram estáveis, indicando inflação de 4,22% em 2027 e de 3,80% em 2028.
PIB e dólar apresentam estabilidade
Enquanto juros e inflação registraram mudanças, as expectativas para crescimento da economia e câmbio praticamente não sofreram alterações.
O mercado continua projetando expansão de 1,99% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A previsão para o dólar também segue em R$ 5,20 ao final do ano.
Já para 2027 houve pequenos ajustes. A expectativa de crescimento econômico passou de 1,60% para 1,57%, enquanto a cotação do dólar foi revisada de R$ 5,29 para R$ 5,28.
Como a Selic influencia a economia
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando os juros aumentam, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a conter a alta dos preços. Em contrapartida, esse cenário pode limitar o ritmo de crescimento da economia.
Quando ocorre o movimento inverso, com redução da Selic, empréstimos e financiamentos costumam ficar mais acessíveis, favorecendo o consumo e os investimentos, embora isso também possa gerar maior pressão inflacionária.
Além da Selic, as instituições financeiras levam em consideração fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na definição das taxas cobradas dos clientes.
Os números apresentados pelo Boletim Focus indicam uma mudança gradual na percepção do mercado sobre a economia brasileira para 2026. A redução das projeções para os juros e para a inflação sinaliza expectativa de um ambiente econômico mais favorável, embora as decisões futuras continuem dependendo da evolução dos indicadores econômicos e das próximas reuniões do Copom.
Com informaçoes da Agencia Brasil