Tarifa dos EUA pressiona agronegócio e ameaça empresas exportadoras

Contêineres de produtos do agronegócio brasileiro destinados à exportação após tarifa dos Estados Unidos.
Nova tarifa norte-americana aumenta a preocupação entre exportadores do agronegócio brasileiro.

 Nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros afeta principalmente madeira, açúcar orgânico, arroz e tabaco, elevando a preocupação no setor.

A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros começou a valer na quarta-feira (22) e já provoca preocupação entre empresas do agronegócio. O setor teme perdas nas exportações, redução da competitividade e impactos que podem resultar em demissões e até no encerramento de operações.

De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36% das exportações do agronegócio destinadas ao mercado norte-americano serão atingidas pela nova taxação. O percentual é superior ao impacto médio estimado pelo governo brasileiro para todas as exportações nacionais, calculado em 18%.

Embora os Estados Unidos representem aproximadamente 7% das vendas externas do agronegócio brasileiro, parte significativa desse volume será diretamente afetada pela medida.

Madeira e açúcar orgânico estão entre os mais prejudicados

Os segmentos mais vulneráveis são os de madeira, açúcar orgânico, arroz e tabaco. No caso da madeira e do açúcar orgânico, metade das exportações desses produtos tem como destino o mercado norte-americano, o que dificulta a substituição por outros compradores.

Segundo a especialista Fernanda Pressinott, muitos desses produtos foram desenvolvidos especificamente para atender às exigências dos consumidores e da indústria dos Estados Unidos. Por isso, encontrar novos mercados no curto prazo representa um grande desafio para as empresas.

No setor açucareiro, enquanto o açúcar refinado possui uma carteira diversificada de compradores internacionais, o açúcar orgânico depende fortemente da demanda norte-americana. Já arroz e tabaco também mantêm participação relevante nas vendas ao país.

Empresas avaliam medidas para enfrentar o cenário

Apesar de o impacto geral sobre a balança do agronegócio ser considerado limitado, principalmente porque produtos importantes como carne bovina e suco de laranja ficaram de fora da nova tarifa, a situação preocupa empresas que concentram grande parte de seus negócios nos Estados Unidos.

Fernanda Pressinott alertou que algumas companhias já estudam medidas como redução de custos, cortes de pessoal e até o fechamento de unidades caso a situação permaneça.

Além disso, representantes do mercado americano de açúcar estariam buscando alternativas para reverter a cota, já que a medida também pode elevar custos para consumidores e empresas nos Estados Unidos.

Governo deve discutir alternativas com o setor

Diante dos efeitos da nova taxação, a expectativa é de que o governo brasileiro realize reuniões com representantes do setor produtivo ao longo da semana para discutir medidas de apoio às cadeias mais afetadas.

Entre as possibilidades está uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, iniciativa que busca reduzir os impactos provocados pela tarifa adicional e oferecer alternativas às empresas exportadoras.

Embora o impacto sobre o conjunto das exportações brasileiras seja relativamente controlado, especialistas apontam que determinados segmentos do agronegócio enfrentarão desafios importantes para manter mercados e preservar emp

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