Safra de soja 2026/27 terá corte de investimentos diante da alta dos custos
Produtores reduzem gastos com adubação e buscam alternativas para enfrentar o aumento dos insumos, dos juros e das dificuldades de crédito.
O planejamento da safra de soja 2026/27 já começou sob forte pressão financeira. Diante do aumento dos custos de produção, produtores estão reduzindo investimentos para minimizar riscos, especialmente com fertilizantes, combustível e crédito mais caro.
Em algumas propriedades de São Paulo, os cortes na adubação chegam a 30%, refletindo a necessidade de preservar o caixa em um cenário de margens mais apertadas para a principal cultura agrícola brasileira.
Custos elevados mudam estratégia para a safra de soja 2026/27
O diretor da Aprosoja São Paulo, Rogério Ferrari, que também é produtor rural em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), afirma que a próxima temporada exige cautela nas decisões de investimento.
Segundo ele, a redução nos gastos com fertilizantes foi uma escolha para diminuir a exposição financeira diante da elevação dos custos. A medida, de acordo com Ferrari, também tem sido adotada por diversos associados da entidade.
O produtor explica que fertilizantes e diesel são atualmente os principais responsáveis pelo aumento das despesas necessárias para iniciar o plantio. Enquanto sementes e defensivos apresentaram poucas variações em relação ao ciclo anterior, esses dois itens registraram forte impacto no orçamento das propriedades.
Fertilizantes lideram aumento das despesas
Pelas estimativas apresentadas por Ferrari, produzir soja na próxima temporada custará aproximadamente o equivalente a dez sacas por hectare a mais em comparação com a safra anterior.
Considerando uma produtividade média de 65 sacas por hectare, esse acréscimo representa um aumento superior a 10% no custo de produção.
Crédito mais caro amplia preocupação dos produtores
Além da alta dos insumos, o financiamento agrícola também passou a pesar nas decisões dos produtores. Segundo Ferrari, as taxas de juros aumentaram significativamente e o acesso ao crédito ficou mais restrito.
Mesmo com recursos disponíveis pelo Plano Safra, muitos agricultores precisam recorrer a linhas complementares com custos mais elevados. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras adotaram critérios mais rigorosos para liberar financiamentos.
Como alternativa, parte dos produtores ampliou as operações de barter, modalidade em que parte da produção futura é utilizada como forma de pagamento para custear o plantio.
Segundo o dirigente da Aprosoja São Paulo, quando chega o período da colheita, aproximadamente metade da produção já está comprometida por meio dessas operações.
Mercado acompanha aumento do custo de produção
As dificuldades relatadas pelos produtores também aparecem em levantamentos do setor.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta aumento de 3,21% no custo de produção da soja em Mato Grosso na safra 2026/27.
Já a Agrinvest Commodities estima que o custo para produzir soja ficará equivalente a 5,7 sacas por hectare acima da média registrada nos últimos sete anos, principalmente devido ao encarecimento dos fertilizantes, do diesel e do crédito rural.
Rentabilidade dependerá do mercado
Apesar das medidas adotadas para reduzir riscos, produtores avaliam que o resultado financeiro da próxima safra continuará diretamente ligado ao comportamento das cotações da soja.
Atualmente, a saca é negociada em torno de R$ 138 no porto de Paranaguá. Para muitos agricultores, uma recuperação dos preços será fundamental para garantir maior rentabilidade na safra de soja 2026/27.
