Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas

 

taxa selic
Imagem ilustrativa

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, na noite de quarta-feira (28 de janeiro de 2026), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Esse patamar representa o maior nível dos juros básicos do país em quase 20 anos, reforçando a postura cautelosa da autoridade monetária diante do cenário econômico atual.

A Selic está nesse nível desde o fim de 2025 e segue como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. A última vez que a taxa esteve tão elevada foi em julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano. Desde então, o Brasil não registrava juros básicos tão altos por um período prolongado.

Decisão unânime e cenário de cautela

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou que a manutenção da Selic reflete um ambiente econômico ainda marcado por incertezas internas e externas, além de desafios fiscais e pressões inflacionárias persistentes em alguns setores da economia.

Segundo o colegiado, apesar de sinais recentes de desaceleração da inflação, especialmente nos preços de bens industriais, a inflação de serviços segue em níveis elevados, o que exige prudência na condução da política monetária. O Banco Central também observou que o cenário internacional permanece instável, com juros elevados em economias avançadas e riscos geopolíticos que podem afetar os mercados globais.

“O Comitê avalia que a política monetária deve permanecer restritiva por período suficientemente prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o Copom em trecho do comunicado.

Meta de inflação segue no radar

A decisão de manter os juros em 15% está diretamente relacionada ao compromisso do Banco Central com a meta de inflação, que é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Embora os índices inflacionários recentes indiquem uma trajetória de queda, as projeções para os próximos meses ainda exigem atenção.

De acordo com analistas, o Banco Central busca evitar um afrouxamento prematuro da política monetária, que poderia reacender pressões inflacionárias e comprometer a credibilidade do regime de metas.

Impactos na economia e no bolso do consumidor

A manutenção da Selic em um patamar elevado tem reflexos diretos sobre a economia brasileira. Juros altos encarecem o crédito, dificultando o acesso a financiamentos para famílias e empresas. Setores como comércio, indústria e construção civil tendem a sentir os efeitos, com redução no consumo e desaceleração dos investimentos.

Por outro lado, aplicações financeiras atreladas à taxa básica de juros, como Tesouro Selic, CDBs e fundos de renda fixa, continuam oferecendo retornos atrativos para investidores, especialmente aqueles de perfil conservador.

Especialistas destacam que o Banco Central precisa equilibrar o combate à inflação com a necessidade de estimular o crescimento econômico, que segue em ritmo moderado.

Perspectiva de cortes ao longo de 2026

Apesar da decisão de manter os juros, o Copom sinalizou que poderá iniciar um ciclo de cortes da Selic ao longo de 2026, caso o cenário inflacionário continue evoluindo de forma favorável. A próxima reunião do comitê está marcada para março, e o mercado já trabalha com a possibilidade de uma redução gradual da taxa a partir desse encontro.

No entanto, o Banco Central reforçou que qualquer mudança na política monetária dependerá da confirmação das expectativas de inflação e do comportamento das contas públicas. O Copom deixou claro que seguirá monitorando atentamente os indicadores econômicos antes de tomar novas decisões.

Contexto econômico nacional

A manutenção da Selic em 15% ocorre em um momento em que o país enfrenta desafios fiscais, com aumento de gastos obrigatórios e pressão sobre o orçamento público. Esse cenário influencia diretamente as expectativas do mercado e a condução da política monetária.

Economistas avaliam que o Banco Central adota uma postura conservadora para evitar riscos adicionais, especialmente diante da necessidade de preservar a estabilidade econômica e financeira do país.

Com a decisão desta quarta-feira, o Copom reafirma seu compromisso com o controle da inflação e a estabilidade da economia brasileira. A Selic permanece em um dos níveis mais altos da história recente, impactando consumidores, empresas e investidores.

O mercado agora volta suas atenções para os próximos dados econômicos e para a reunião de março, que poderá marcar o início de um novo ciclo de flexibilização monetária, desde que as condições permitam.

Joel Sychocki/ Clic Noticias

JOEL SYCHOCKI

Olá! Eu sou Joel Sychocki e é um prazer receber você no Clic Notícias. Nosso objetivo é informar com clareza, responsabilidade e rapidez, trazendo os acontecimentos que realmente importam. Sua presença aqui é muito importante. Seja bem-vindo!

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem