Bolsa brasileira renova recorde histórico e dólar recua após alívio no cenário internacional

imagem representando a alta na bolsa de valores
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O mercado financeiro brasileiro encerrou a quinta-feira (15) em clima de otimismo, impulsionado por uma combinação de fatores externos e internos que favoreceram os ativos de risco. A bolsa de valores voltou a registrar um novo recorde histórico, aproximando-se da marca dos 166 mil pontos, enquanto o dólar interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e fechou novamente abaixo de R$ 5,40. O movimento refletiu a redução das tensões no cenário internacional e a expectativa de mudanças na política monetária doméstica.

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, terminou o pregão aos 165.568 pontos, com valorização de 0,26%. Durante a tarde, o indicador chegou a avançar 0,56%, alcançando níveis ainda mais elevados, mas perdeu parte do fôlego nos minutos finais da sessão. Segundo analistas, a desaceleração ocorreu em função da realização de lucros por parte de investidores, prática comum após sucessivas altas e renovação de máximas históricas.

Essa foi a segunda sessão consecutiva em que o índice bateu recorde, reforçando o bom momento vivido pelo mercado acionário brasileiro. O desempenho positivo ocorreu apesar da queda das ações da Petrobras, que possuem grande peso na composição do índice e figuram entre os papéis mais negociados da bolsa.

Petrobras limita avanço do índice

As ações da Petrobras registraram queda ao longo do dia, pressionadas pelo recuo expressivo da cotação internacional do petróleo. O barril da commodity teve desvalorização próxima de 4% no mercado externo, o que impactou diretamente os papéis da estatal. As ações ordinárias da empresa recuaram 1,02%, enquanto as preferenciais caíram 0,63%.

Mesmo com o desempenho negativo da Petrobras, outros setores ajudaram a sustentar o avanço do Ibovespa, especialmente empresas ligadas ao consumo interno e ao setor financeiro, que se beneficiam da perspectiva de juros mais baixos no Brasil. Investidores avaliam que um ambiente de política monetária mais favorável tende a estimular a economia e aumentar a atratividade das ações.

Dólar fecha em queda e volta ao patamar abaixo de R$ 5,40

No mercado de câmbio, o dia foi marcado por correção após uma sequência de altas. O dólar comercial encerrou o pregão vendido a R$ 5,368, com recuo de R$ 0,034, o equivalente a uma queda de 0,62%. Durante a manhã, a moeda norte-americana chegou a ultrapassar novamente o patamar de R$ 5,40, mas perdeu força ao longo da tarde.

O movimento de baixa foi impulsionado pelo aumento da entrada de recursos estrangeiros no país, em meio à melhora do humor dos investidores globais. Com a redução das incertezas externas, moedas de países emergentes, como o real, passaram a se valorizar frente ao dólar.

Impacto limitado de notícias domésticas

Um dos fatos que chamou atenção no início do dia foi a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos. Apesar da relevância do episódio, o impacto sobre o mercado financeiro foi considerado limitado. Analistas destacam que o sistema financeiro brasileiro segue sólido e que o caso não gerou efeitos sistêmicos capazes de afetar o desempenho da bolsa ou do câmbio de forma significativa.

Assim, o foco dos investidores permaneceu concentrado principalmente no cenário externo e nas perspectivas para a política econômica interna.

Alívio externo anima mercados

O principal fator por trás da melhora do humor nos mercados foi o alívio das tensões internacionais, especialmente envolvendo os Estados Unidos e o Oriente Médio. Declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, ajudaram a reduzir a aversão ao risco.

Trump afirmou que não pretende demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afastando temores de interferência política na condução da política monetária norte-americana. Além disso, o presidente dos Estados Unidos declarou que o “massacre no Irã cessou”, o que diminuiu as preocupações com uma possível escalada militar na região.

Essas sinalizações reduziram a percepção de risco global, favorecendo ativos de mercados emergentes e pressionando o dólar para baixo. Ao mesmo tempo, a notícia relacionada ao Irã contribuiu para a queda do petróleo no mercado internacional, refletindo expectativas de menor risco de interrupções no fornecimento da commodity.

Expectativa de queda dos juros no Brasil

No cenário doméstico, a bolsa brasileira também foi beneficiada pela crescente expectativa de redução da taxa básica de juros. Dados econômicos divulgados recentemente mostraram que o comércio brasileiro registrou crescimento de 1% em novembro, indicando desaceleração da atividade econômica.

Esse desempenho reforçou a avaliação de que o Banco Central do Brasil pode adotar uma postura mais flexível nos próximos meses. A possibilidade de cortes na Taxa Selic tem sido vista com bons olhos pelo mercado acionário, já que juros mais baixos tendem a estimular investimentos e o consumo.

Além disso, a redução da Selic costuma incentivar a migração de recursos da renda fixa para a renda variável, aumentando a demanda por ações e contribuindo para a valorização da bolsa.

Perspectivas para os próximos pregões

Analistas avaliam que o desempenho positivo do Ibovespa reflete um momento de maior confiança dos investidores na economia brasileira, apesar dos desafios ainda existentes. O cenário externo mais favorável, aliado às expectativas de flexibilização monetária, cria um ambiente propício para a continuidade do fluxo de capital para o país.

No entanto, especialistas alertam que o mercado segue sensível a novos dados econômicos e a eventuais mudanças no cenário internacional. Questões geopolíticas, decisões de bancos centrais e indicadores de inflação e atividade econômica continuarão no radar dos investidores nos próximos pregões.

Ainda assim, a renovação de recordes consecutivos na bolsa brasileira e a queda do dólar indicam que, ao menos no curto prazo, o mercado financeiro aposta em um cenário de menor risco e maior previsibilidade. O comportamento dos ativos nesta quinta-feira reforça a percepção de que o Brasil pode se beneficiar do atual contexto global, desde que mantenha fundamentos econômicos sólidos e estabilidade institucional.

Com isso, a expectativa é de que a bolsa siga em patamares elevados, enquanto o dólar pode continuar apresentando volatilidade moderada, acompanhando os desdobramentos tanto no ambiente externo quanto nas decisões de política econômica interna.

Autor: Joel Sychocki/ CLIC NOTICIAS

Bolsa brasileira renova recorde histórico
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