Brasil abre mercado chinês para miúdos de porco sem cota

 


Acordo sanitário permite exportação de fígado, coração, rins, estômago e outros miúdos suínos para a China.

Brasil e China assinaram neste sábado (26) um protocolo sanitário que autoriza a exportação de miúdos suínos brasileiros para o mercado chinês. O acordo foi formalizado em cerimônia na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília.

O documento foi assinado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A abertura do mercado inclui produtos internos dos suínos, como fígado, coração, rins, estômago e ossos, sem aplicação de cota de importação.

Com a assinatura, empresas brasileiras que já possuem habilitação para exportar produtos suínos à China poderão solicitar ao Mapa a ampliação do escopo para incluir os novos itens.

Mercado chinês amplia aproveitamento dos suínos

A medida permite aumentar o aproveitamento comercial dos animais abatidos pelos frigoríficos brasileiros. Produtos que possuem menor valor no mercado interno passam a ter acesso ao mercado chinês, que está entre os maiores consumidores de miúdos suínos do mundo.

Segundo o Mapa, a China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos e tem forte demanda por esses produtos. Antes do novo acordo, o Brasil já podia exportar alguns miúdos externos, como patas e orelhas, mas em condições restritas.

A indústria brasileira estima que a abertura possa gerar cerca de US$ 100 milhões adicionais em receita e mais de 100 mil toneladas em embarques de miúdos.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que o acordo melhora a destinação de produtos que já possuem mercado em outros países e atende à demanda chinesa.

Entre 2013 e 2024, o Brasil enviou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para a China, segundo a ABPA, consolidando o país asiático entre os principais destinos das exportações brasileiras.

Rio Grande do Sul está entre os estados habilitados

Atualmente, cerca de 15 estabelecimentos brasileiros já estão habilitados para exportar à China e poderão solicitar a ampliação da autorização. São sete unidades em Santa Catarina e oito no Rio Grande do Sul.

O avanço das negociações ocorreu depois que a China reconheceu, em junho deste ano, todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. A medida contribuiu para ampliar as discussões entre os dois países sobre produtos de origem animal, incluindo miúdos e carne com osso.

Os miúdos suínos também não estão incluídos na salvaguarda aplicada pela China à carne bovina brasileira. Dessa forma, esses produtos não ficam submetidos à cota criada para a proteína bovina.

Negociação entre Brasil e China começou há cerca de um ano

A negociação para a abertura do mercado vinha sendo conduzida pelos dois países havia aproximadamente um ano e avançou durante a missão oficial brasileira à China, realizada em maio.

Em 19 de maio, em Pequim, representantes do Mapa e da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) confirmaram os entendimentos técnicos sobre os requisitos sanitários e quarentenários para a exportação de carne suína e seus subprodutos brasileiros.

Na ocasião, o protocolo revisado passou a contemplar também os miúdos suínos. Faltava, porém, a formalização do acordo e a conclusão dos procedimentos internos pelas autoridades chinesas.

Com a assinatura realizada neste sábado, essa etapa foi concluída e o Mapa deverá orientar as empresas interessadas sobre os procedimentos necessários para ampliar suas habilitações.

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