Arrecadação federal alcança recorde histórico de R$ 2,89 trilhões em 2025, aponta Receita Federal

 

Jose Cruz/ Agencia Brasil

Clic Notícias — A arrecadação federal brasileira atingiu um novo recorde histórico em 2025, alcançando o montante de R$ 2,89 trilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal. O resultado representa o melhor desempenho arrecadatório já registrado no país e reflete tanto o crescimento da atividade econômica quanto mudanças na legislação tributária e elevação de impostos ao longo do período.

Além do desempenho anual, o mês de dezembro de 2025 também foi o melhor da série histórica, com arrecadação de R$ 292,72 bilhões, consolidando um encerramento de ano positivo para as contas públicas. Os números reforçam a importância da arrecadação tributária para o equilíbrio fiscal e para o financiamento das políticas públicas no Brasil.

Crescimento real supera inflação

De acordo com a Receita Federal, o crescimento da arrecadação em 2025 foi de 3,75% em termos reais, ou seja, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse avanço é considerado expressivo, principalmente porque o patamar de comparação, o ano de 2024, já havia sido elevado.

Em valores corrigidos, o desempenho mostra que a União conseguiu ampliar suas receitas mesmo diante de um cenário de desaceleração em alguns setores da economia, como a indústria e o comércio de bens.

Durante a apresentação dos dados, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou o resultado positivo.

“São números expressivos, um crescimento importante, especialmente considerando o nível elevado da arrecadação registrado em 2024”, afirmou.

Dezembro registra melhor resultado da história

Outro dado que chama atenção é o desempenho do mês de dezembro. No último mês de 2025, a arrecadação federal chegou a R$ 292,72 bilhões, o que representa um crescimento real de 7,46% em relação a dezembro do ano anterior.

Quando considerados apenas os tributos administrados diretamente pela Receita Federal, o valor arrecadado em dezembro foi de R$ 285,21 bilhões, com alta real de 7,67%. Esse crescimento reforça a tendência de recuperação das receitas públicas ao longo do segundo semestre.

Segundo o Clic Notícias, os dados completos estão disponíveis no site oficial da Receita Federal e incluem tributos, contribuições previdenciárias e outras fontes de receita da União.

O que entra na arrecadação federal

A arrecadação federal engloba diversos tributos e contribuições, entre eles:

  • Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)

  • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)

  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

  • Programa de Integração Social (PIS)

  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)

  • Contribuições previdenciárias

Também entram no cálculo receitas que não são administradas diretamente pela Receita Federal, como royalties e depósitos judiciais.

Em 2025, as receitas administradas pelo órgão somaram R$ 2,76 trilhões, registrando um crescimento real de 4,27% em comparação com o ano anterior.

Efeito de fatores extraordinários

A Receita Federal ressalta que a base de comparação com 2024 é influenciada por eventos não recorrentes e mudanças na legislação tributária que não se repetiram em 2025.

Em 2024, por exemplo, houve um recolhimento extraordinário de R$ 13 bilhões referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital, especialmente ligados à tributação de fundos exclusivos. Esse pagamento adicional não ocorreu em 2025.

Além disso, a arrecadação do IRPJ e da CSLL também foi impactada por valores atípicos. Em 2024, o recolhimento extra foi de R$ 4 bilhões, enquanto em 2025 esse valor caiu para R$ 3 bilhões.

Segundo a Receita, se esses pagamentos extraordinários fossem desconsiderados, o crescimento real da arrecadação entre janeiro e dezembro de 2025 teria sido ainda maior, chegando a 4,82%.

Desempenho da economia influencia arrecadação

O resultado recorde também foi impulsionado por variáveis macroeconômicas, especialmente o desempenho do setor de serviços, que apresentou crescimento de 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Esse setor é um dos principais motores da arrecadação federal.

Por outro lado, a produção industrial teve crescimento modesto, de apenas 0,17% no período acumulado, o que explica o desempenho mais contido de tributos como o IPI e o IRPJ/CSLL, que avançaram apenas 1,27%.

Já o valor das importações em dólar aumentou 2,11%, contribuindo para o crescimento da arrecadação sobre o comércio exterior, especialmente em um contexto de câmbio mais elevado.

Outro fator relevante foi o aumento de 10,9% da massa salarial, o que impactou positivamente a arrecadação previdenciária e o Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho.

IOF tem alta expressiva em 2025

Entre os destaques do ano está o desempenho do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). De janeiro a dezembro de 2025, a arrecadação com o tributo alcançou R$ 86,48 bilhões, uma alta real de 20,54% em relação a 2024.

Segundo a Receita Federal, esse crescimento está relacionado principalmente a operações de:

  • Saída de moeda estrangeira

  • Crédito destinado a pessoas jurídicas

  • Títulos e valores mobiliários

O avanço também foi influenciado por alterações legislativas ocorridas ao longo do ano. Em junho de 2025, o governo federal chegou a elevar a cobrança do IOF em algumas operações de crédito por meio do Decreto nº 12.499/2025, medida que posteriormente foi derrubada.

Arrecadação previdenciária cresce com massa salarial

A arrecadação previdenciária somou R$ 737,57 bilhões em 2025, registrando crescimento real de 3,27%. O principal fator para esse resultado foi o aumento da massa salarial, reflexo da manutenção do nível de emprego e da renda ao longo do ano.

Para o Clic Notícias, esse dado reforça a relação direta entre mercado de trabalho aquecido e maior entrada de recursos nos cofres da Previdência Social.

Apostas online impulsionam PIS/Cofins

Outro destaque importante foi o desempenho da arrecadação do PIS/Cofins, que chegou a R$ 581,95 bilhões em 2025, com alta real de 3,03%.

Parte desse crescimento é atribuída ao bom desempenho das instituições financeiras e, principalmente, à taxação dos serviços de apostas online, conhecidas como “bets”.

A arrecadação com casas de apostas virtuais teve um salto impressionante: passou de R$ 91 milhões em 2024 para quase R$ 10 bilhões em 2025, representando um crescimento superior a 10.000% no acumulado do ano.

Comércio exterior e rendimentos do exterior em alta

A arrecadação dos tributos sobre o comércio exterior também cresceu, impulsionada pelo aumento das alíquotas médias e pela valorização do dólar. Em termos reais, houve alta de 9,49% nesse item em 2025.

Já a arrecadação sobre rendimentos de residentes no exterior avançou 12,91%, surpreendendo positivamente a Receita Federal. Essa rubrica inclui receitas de royalties, rendimentos do trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP), mecanismo utilizado por empresas para distribuir parte dos lucros aos acionistas.

Sinais de desaceleração em alguns setores

Apesar do recorde histórico, a Receita Federal alerta para sinais de desaceleração econômica, especialmente nos setores industrial e de venda de bens.

A arrecadação com IRPJ e CSLL, por exemplo, teve crescimento limitado, refletindo a estabilidade da atividade industrial. O mesmo ocorreu com o IPI, que avançou apenas 1,27%, evidenciando um ritmo mais lento da produção.

Mesmo assim, o desempenho geral da arrecadação em 2025 é considerado positivo e reforça a capacidade do governo de ampliar receitas em um cenário econômico desafiador.

Perspectivas para 2026

Segundo especialistas ouvidos pelo Clic Notícias, a tendência para 2026 dependerá do comportamento da economia, das decisões de política fiscal e de possíveis novas mudanças na legislação tributária. Setores como serviços, mercado de trabalho e comércio exterior devem continuar sendo determinantes para o desempenho da arrecadação federal.

Com o recorde alcançado em 2025, a arrecadação se consolida como um dos pilares para o financiamento do Estado e para o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos.

Joel Sychocki/ Clic Noticias 

JOEL SYCHOCKI

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